
Qual a relação entre o personagem Chaves e o…
Qual a relação entre o personagem Chaves e o filósofo Diógenes, citados na letra de “Guarda-chuva”? Quem ainda não viu o vídeo ao vivo de “Guarda-chuva”, é só clicar aqui e ver.
Arquétipos – O encontro com a sombra é um disco diferente: são 12 canções baseadas nos sonhos, estudos e memórias de C. G. Jung, fundador da psicologia analítica.
O revolucionário
Aquele que caminha na chuva é geralmente mais inspirado por ação, mas dentro deste arquétipo “guarda-chuva”, pode ser sempre encontrado o caminhante solitário que vai contra a corrente, é ridicularizado durante toda a sua busca para encontrar seus pés e, em seguida, em última análise, é seguido e reverenciado quando finalmente levado a sério.
Apaixonados e solitários, eles estão sempre construindo impérios, invenções e feitiços mágicos, eles muitas vezes se esbarram com o arquétipo Eremita e podem parecer meio loucos. É mais ou menos isso que queremos falar hoje aqui. Vamo lá?
Guarda-chuva
Pensa como vai ser forte a chuva
Pensa como ajuda o guarda chuva
Quando o carro for passar, vai se molhar
A chuva é cíclica. Ela vem pra lavar, pra regar, pra trazer vida. É o símbolo da fertilidade, da força e da limpeza. Num banho de chuva, a gente purifica a alma. Vai ver é por isso que a gente sempre esquece o guarda-chuva.
Pensa feriado quarta-feira
Pensa terça-feira como sexta
Quando o carnaval chegar, vai se pintar
Se terça = sexta então quarta é sábado e o sábado, por fundamentação bíblica, etimológica e no calendário gregoriano, é o sétimo dia da semana. O número 7 (sete) representa a totalidade, a perfeição, a consciência, a intuição. A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário Cristão ocidental.
Vai dizer que eu tenho medo
a dor que dói por dentro
me ajuda a ser quem sou
Aqui um monólogo, uma pessoa que pergunta e ela mesmo responde. Estaria falando consigo mesma ou com outra pessoa que não responde? O começo de um autoconhecimento, de reconhecer quem se é sem julgar, sem se culpar, começa a descobrir que muitas das dores que ela sente fazem com que ela se descubra e exerça a sua individualidade.
Pensa num mercado aberto às duas
Diógenes e o Chaves num barril
Assim como Chaves, o filósofo pós-socrático Diógenes vivia em um barril. E todo o desprendimento do menino com a vida não poderia ter outra influência senão o maior representante do cinismo.
“Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê… bem, você sabe… pra… só por esporte.” (Diálogo entre Chaves e Kiko).
O Cinismo
Ao mesmo tempo demonstrava de que de nada daquilo dependia. De fato, o que o filósofo propunha era a busca interna da felicidade, que não tem causas externas – aspecto que os cínicos passaram a defender, não somente com palavras, mas pelo modo de vida adotado.
Conta-se que Alexandre, o Grande, imperador da antiguidade, tinha grande admiração por suas ideias. Ao encontrá-lo, teria se oferecido para lhe dar um presente, bastando Diógenes dizer o que queria receber. O filósofo, entrementes, somente pede que Alexandre saia da sua frente, pois estava a lhe impedir de tomar sol. E teria acrescentado: Não me tire o que não pode me dar!
Antes de sair de Atenas, relata-se que Alexandre, o Grande, teria dito: “Se Alexandre não fosse Alexandre, e não tivesse que viver como Alexandre, gostaria de viver como Diógenes”.
A representação de Diógenes no barril torna-se um símbolo do pouco que é suficiente para viver.
Noé se for chover corre pro barco
Fim dos Tempos
O Arquétipo do ”Fim dos Tempos” e sua Origem, tem como grande símbolo no ocidente o mito da Arca de Noé. Trata de uma jornada do indivíduo para dentro de si, utilizando metáforas e símbolos. Então, dessa forma, algum distanciamento é necessário, pois essa mudança na interpretação da história pode esbarrar em nossos pre(con)ceitos já formulados acerca da religião cristã. É preciso ter em mente as dualidades constantes que ocorrem na narrativa. Uma ressalva é que essa interpretação é, sobretudo, relativo ao arquétipo do herói do mito, Noé. Não há uma comunicação direta com Deus, ele não fala, nem manda construir uma Arca. Aquilo que Noé busca e realiza é fruto de seu próprio desejo e atribuição de significado ao que lhe é dado – assim como fazemos em nossa realidade.
Arquétipos – O encontro com a sombra é um disco diferente: são 12 canções baseadas nos sonhos, estudos e memórias de C. G. Jung, fundador da psicologia analítica.
A reunião dos animais representa o espírito selvagem – natural – em harmonia com aquilo que mais define a natureza humana, a Arca – criação de algo através da Técnica. Uma vez que a Arca está construída e a chuva começa, os watchers lutam para defender a Arca da invasão dos “homens corrompidos”. Aqui, temos o clímax das dualidades que se entrecruzam: homem-natureza, controlado-animalesco, técnica-caos, corrompido-puro, transcendente-material e divino-profano.
O relógio que desperta à mesma hora
Pra dar a ideia de rotina, um hábito.
em plena chuva – Deus tupã surgiu
Tupã o Deus trovão
O raio é um sinal, uma ação do Deus Supremo, e muitas pessoas ainda o interpretam assim. Uma tempestade é uma explosão de emoções, isso anda junto com a iluminação. Geralmente, quando uma pessoa entra num estado emocional incontrolável, ela tem intuições. Tupã (que na língua tupi significa trovão) é uma entidade da mitologia tupi-guarani. Alguns estudos dizem que “Tupã” já existia não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondante), um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo, temia. Os indígenas tinham noção da existência de uma Força, de um Deus superior a todos, se tinha a noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou “o trovão”, cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol.
Troco horário de verão pelo jantar
Rompendo com o padrão e relação com o tempo. Como diz Agostinho: “Se ninguém me perguntar, eu sei; porém, se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.” Agostinho vai diferenciar o “tempo da alma” e o “tempo do mundo”. Quando Renato Russo cantava “temos nosso próprio tempo”, nada mais era que uma modernização do pensamento Agostiniano.
Vai dizer que eu erro mesmo
a dor que dói por dentro
me ajuda a ser quem souPensa, como ajuda o guarda-chuva, me ajuda a ser quem sou
Me dói por dentro
preciso ser quem sou
que dói por dentro
me ajuda a ser quem sou
Tem uma frase do Carl Jung que resume esse refrão final: “Ninguém se ilumina imaginando figuras de luz, mas se conscientizando da escuridão”.
A sombra
O conceito de sombra ou o lado obscuro constitui essa dualidade comum, tudo o que consideramos em um determinado momento como “ruim” devido à nossa educação e aos padrões morais da nossa sociedade se transforma na nossa sombra. No entanto, não é aconselhável ver todas essas dinâmicas internas como experiências reprováveis ou perigosas. O próprio Jung explicou que existem diferentes tipos de sombras e que uma maneira de alcançar o bem-estar, a cura e a liberdade pessoal é torná-las conscientes e enfrentar todas elas.
A sombra: uma presença conhecida, mas reprimida
- A “sombra” foi um termo que Jung pegou emprestado de Friedrich Nietzsche.
- Essa ideia representava a personalidade oculta que cada pessoa possui. À primeira vista, a maioria de nós aparenta (e nos percebemos) como seres bons e nobres. No entanto, no nosso interior há certas dimensões reprimidas, onde se escondem os instintos hereditários, a violência, a raiva, o ódio…
- O arquétipo da sombra não vive somente dentro de cada pessoa. Às vezes, também está presente em “grupos de pessoas”, em seitas, em alguns tipos de religiões ou mesmo em partidos políticos. São organizações que podem, em um determinado momento, lançar a sua sombra à luz para justificar atos violentos contra a própria humanidade.
- A sombra se torna mais destrutiva, insidiosa e perigosa quando a “reprimimos”. De acordo com Carl Jung, quando ela se projeta aparecem os distúrbios como a neurose ou a psicose.
- Da mesma forma, Jung diferenciou o arquétipo da sombra em dois tipos. O primeiro é a sombra pessoal, que todos nós carregamos como as nossas pequenas frustrações, medos, egoísmo e dinâmicas negativas mais comuns. No entanto, haveria também a sombra impessoal, que conteria a essência do mal mais arquetípico, aquele que acompanha os genocídios, assassinos implacáveis, etc.
“Infelizmente, não há dúvida de que o homem não é, em geral, tão bom quanto imagina ou gostaria de ser. Todo mundo tem uma sombra, e quanto mais escondida ela está da vida consciente do indivíduo, mais escura e densa ela se tornará. De qualquer forma, é um dos nossos piores obstáculos, já que frustra as nossas ações bem intencionadas.” – Carl Jung –
Veja o vídeo ao vivo de Guarda-chuva:
Curiosidade
Um objeto com mais de três mil anos de história
O guarda-chuva foi inventado na China por volta do século XI a. C. Porém, com o passar do tempo os antigos egípcios e gregos começaram a utilizá-lo, não para abrigar-se da chuva, mas sim para proteger-se do sol. Os egípcios que pertenciam à corte do faraó usavam em alguns rituais. No caso dos gregos, se tratava de um utensílio usado apenas pelas mulheres. Durante muito tempo o guarda-chuva foi visto como um objecto com significado sagrado, ao ponto de só ser utilizado para cobrir as divindades e a realeza em procissões e eventos de grande significado espiritual.
Esse aspecto de objecto “divino” chegou mesmo ao Cristianismo. Nas cerimônias litúrgicas existiam sempre dois guarda-chuvas que seguiam à frente do Papa. Um deles, que ia aberto, simbolizava o poder temporal e o outro, sempre fechado, representava o poder espiritual.
Arquétipos – O encontro com a sombra é um disco diferente: são 12 canções baseadas nos sonhos, estudos e memórias de C. G. Jung, fundador da psicologia analítica.
Foram os Japoneses e Chineses que mais contribuíram para a sua adoção como um simples acessório de proteção para a chuva e para o sol, sem quaisquer valores sociais ou divinos associados.
Romanos
Os romanos chamavam o guarda-chuva de umbráculum, do qual era usado apenas como proteção solar. Durante a Idade Média seu uso cotidiano praticamente desapareceu. A partir do século XV os franceses da nobreza começaram a exibi-los como sinal de distinção e elegância. Foram os ingleses que finalmente utilizaram o guarda-chuva para proteger-se da chuva, sua verdadeira e principal função. Na estética tradicional do gentleman inglês, o guarda-chuva se tornou um símbolo de classe e distinção.
Lançando o álbum Arquétipos – O encontro com a sombra
São 12 canções baseadas nos sonhos, estudos e memórias de C. G. Jung, codificador da psicologia analítica. As composições falam sobre arquétipos, signos, símbolos e o encontro com as nossas sombras. Traçam a jornada do anti-herói no cotidiano, o inconsciente coletivo e a busca de si mesmo. Isso não é um conceito. É um enigma.
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