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José Paulino de Azurenha, o poeta negro de Porto…
José Paulino de Azurenha – O cronista negro que ajudou a construir o jornalismo gaúcho
Poucos nomes tiveram uma trajetória tão marcante na imprensa gaúcha quanto José Paulino de Azurenha. Jornalista, cronista, escritor e poeta, ele transformou talento e perseverança em um legado que permanece vivo mais de um século após sua morte.

Paulino Azurenha nasceu em Porto Alegre, em 25 de maio de 1861. Negro e de origem humilde, foi criado apenas pela mãe, Paula Maria da Conceição. Recebeu alfabetização e aprendeu o ofício de tipógrafo, profissão que abriu as portas para sua carreira na imprensa.
Seu primeiro trabalho foi na gráfica do Jornal do Commercio. O proprietário do jornal, Aquiles Porto Alegre, logo percebeu sua habilidade com a escrita e o promoveu para a redação. A partir desse momento, Paulino passou a dedicar sua vida ao jornalismo e à literatura.
Em 1895, participou da fundação do Correio do Povo. Tornou-se um dos principais colaboradores de Caldas Júnior e ajudou a consolidar o jornal nos primeiros anos de funcionamento. Além de revisor e repórter, escreveu centenas de crônicas, muitas assinadas com o pseudônimo Léo Pardo. Após sua morte, esses textos foram reunidos no livro Semanário, publicado em 1926.

Sua produção literária também inclui poesias de influência parnasiana e romântica. Em 1897, escreveu, ao lado de Mário Totta e Sousa Lobo, a novela Estrychnina. A obra apresenta uma crítica às rápidas transformações de Porto Alegre no fim do século XIX, mostrando uma cidade dividida entre o progresso e a perda de suas antigas referências.
Paulino Azurenha também participou da fundação da Academia Rio-Grandense de Letras e da Revista Literária, tornando-se um dos nomes mais importantes da vida intelectual gaúcha. Sua trajetória representou uma conquista ainda maior por ter enfrentado o preconceito racial em uma época de profundas desigualdades.

Em 1 de julho de 1909, morreu repentinamente, vítima de uma embolia, enquanto ainda trabalhava no Correio do Povo. Deixou cinco filhas menores e uma obra que continuou sendo reconhecida por colegas e estudiosos. Aquiles Porto Alegre o definiu como um dos maiores cronistas do estado e um verdadeiro herói do trabalho.

Seu sepultamento ocorreu no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Em 1917, jornalistas e amigos arrecadaram recursos para construir um jazigo perpétuo em sua homenagem, localizado na Quadra 5, jazigo nº 529. Mesmo com o passar das décadas, seu nome permanece gravado na sepultura, lembrando a importância de um homem que ajudou a escrever a história do jornalismo gaúcho.
Hoje, José Paulino de Azurenha é reconhecido como um dos grandes cronistas do início do século XX. Seu legado ultrapassa a literatura e a imprensa. Sua vida simboliza talento, dedicação e resistência, ocupando um lugar de destaque entre os personagens que ajudaram a construir a memória cultural de Porto Alegre.

Apêndice
Um brinde à memória de Estrychnina
A obra de José Paulino de Azurenha continua inspirando novas formas de preservar a memória de Porto Alegre. No Café Mal Assombrado POA, um dos drinks do cardápio presta homenagem à novela Estrychnina, publicada em 1897 por José Paulino de Azurenha, Mário Totta e Sousa Lobo.
A escolha do nome celebra uma das obras mais curiosas da literatura gaúcha, que retrata uma Porto Alegre em transformação, dividida entre a modernidade e a perda de antigas paisagens e tradições.
A história por trás de Estrychnina também é contada por André Hernandez em uma de suas palestras realizadas no Café Mal Assombrado POA. O encontro revela o contexto da obra, suas curiosidades e sua ligação com a Porto Alegre do final do século XIX.
Se tu tens interesse pela história da cidade e por personagens pouco conhecidos da literatura gaúcha, vale a pena acompanhar a programação do Café Mal Assombrado POA e conferir as próximas palestras.









