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Porto Macabra estreia no 3º Festival de Cinema de…
Documentário estrelado por Andre Hernandez mergulha na memória oculta da capital gaúcha e consolida a força de um dos projetos culturais mais originais da cidade
A capital gaúcha, internacionalmente associada ao título simbólico de possuir “o pôr do sol mais bonito do mundo”, também carrega um vasto patrimônio histórico marcado por episódios pouco conhecidos, construções centenárias e narrativas que atravessam gerações. É a partir dessa relação entre memória urbana, identidade cultural e imaginário popular que surge Porto Macabra, documentário que estreou no 3º Festival de Cinema de Canoas em 2025, evento que vem se consolidando como uma importante vitrine do audiovisual independente no Rio Grande do Sul.
Estrelado por Andrá Hernandez, o curta acompanha as narrativas, pesquisas e caminhadas que transformaram o projeto Porto Alegre Mal Assombrado em um dos movimentos culturais independentes mais relevantes da capital gaúcha nos últimos anos.
Mais do que abordar relatos sobrenaturais e lendas urbanas, Porto Macabra constrói uma investigação audiovisual sobre a memória histórica e os aspectos menos visíveis de Porto Alegre. O documentário percorre ruas, prédios históricos e locais emblemáticos da capital gaúcha a partir da perspectiva de André Hernandez, pesquisador, músico, escritor e idealizador de projetos culturais voltados à valorização do patrimônio urbano, da narrativa histórica e da experiência imersiva ligada à cidade.
A estreia dentro do Festival de Cinema de Canoas reforça também a importância crescente do audiovisual independente gaúcho. O FECIC vem se consolidando como espaço de valorização do cinema regional, da produção universitária e de obras autorais conectadas à identidade cultural do Rio Grande do Sul.
Um agente cultural que reinventou a forma de olhar Porto Alegre
Ao longo dos últimos anos, Hernandez consolidou-se como um dos nomes mais ativos e originais da cena cultural porto-alegrense.
Além de idealizador da caminhada Porto Alegre Mal Assombrado, projeto que reúne centenas de pessoas em roteiros históricos e noturnos pelo Centro Histórico, Hernandez também é músico, vocalista da Lítera, pesquisador das histórias ocultas da cidade e cofundador do Café Mal Assombrado POA, espaço temático que rapidamente se tornou ponto de encontro de artistas, pesquisadores, curiosos e apaixonados pela memória sombria da capital.
Seu trabalho ajudou a criar uma nova relação entre o público e a história de Porto Alegre. Ao invés de uma narrativa distante e acadêmica, Hernandez aproximou as pessoas da cidade através da experiência, da atmosfera e da emoção, transformando ruas antigas em verdadeiros portais para outras épocas.
A caminhada Porto Alegre Mal Assombrado tornou-se mais do que um passeio cultural. Hoje, o projeto representa um importante movimento de valorização da memória urbana, do patrimônio histórico e das narrativas invisibilizadas da cidade. Ao abordar temas como espiritismo, crimes históricos, lendas urbanas, arquitetura antiga e episódios esquecidos da capital, a iniciativa desperta interesse em públicos de diferentes gerações e reforça a importância de preservar a identidade cultural porto-alegrense.
Produção cinematográfica impressiona pela qualidade estética e técnica
Um dos pontos que mais chama atenção em Porto Macabra é o cuidado estético da produção. O documentário apresenta acabamento sofisticado, direção segura e uma atmosfera visual extremamente cinematográfica, capaz de transportar o espectador para uma Porto Alegre quase fantasmagórica.
A direção assinada por @juhcoste conduz a narrativa com sensibilidade e personalidade, enquanto o roteiro de @carolina_bsscotta e @antonniocunha constrói um equilíbrio entre pesquisa histórica, experiência urbana e tensão poética. A fotografia de @mariana__aguiar merece destaque especial. O trabalho visual do curta captura sombras, texturas e luzes da cidade de forma elegante e imersiva, transformando Porto Alegre em personagem central da obra. A montagem de @mafedrummond imprime ritmo e identidade ao filme, enquanto o desenho de som de Yasmin Noll e a trilha sonora de @pedropopien ampliam a sensação de inquietação e mistério que acompanha toda a experiência. O color grading de @vinicius_kbreira adiciona unidade estética e profundidade visual ao projeto, contribuindo para a construção de uma atmosfera sombria, sofisticada e extremamente envolvente. Também merece reconhecimento o trabalho de produção realizado por @ovictor_roth e @analongarai_, fundamentais para transformar o projeto em uma obra audiovisual coesa, potente e necessária. O making of registrado por @a_dorigon_ reforça ainda mais o cuidado coletivo e o comprometimento artístico por trás do documentário.
Um filme necessário sobre memória, identidade e pertencimento
Em tempos de apagamento histórico e perda de referências urbanas, Porto Macabra surge como uma obra necessária. O documentário não apenas resgata histórias esquecidas, mas também provoca reflexão sobre a forma como as cidades carregam marcas emocionais, culturais e espirituais através do tempo.
Mais do que falar sobre fantasmas, o filme fala sobre memória. E talvez seja justamente isso que torna o projeto tão poderoso.
Porque nas mãos de André Hernandez, Porto Alegre deixa de ser apenas cenário e passa a respirar como organismo vivo.

Porto Macabro
Direção: @juhcoste
Roteiro: @carolina_bsscotta e @antonniocunha
Produção: @ovictor_roth e @analongarai_
Direção de Foto: @mariana__aguiar
Montagem: @mafedrummond
Desenho de Som: Yasmin Noll
Trilha Sonora: @pedropopien
Color Grading: @vinicius_kbreira
Making of: @a_dorigon_
OUÇA APNEIA
Apneia está disponível nas plataformas digitais: https://onerpm.link/Apneia
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