Blog
André Hernandez anuncia Apneia, o trabalho mais íntimo de…
Após anos de silêncio desde o encerramento das atividades da Lítera, o vocalista, compositor e fundador da banda, André Hernandez, retorna com um projeto profundamente pessoal. Trata-se de Apneia, um álbum solo concebido como uma obra confessional, onde vida e arte se misturam de forma direta e honesta.

O disco tem lançamento previsto para maio de 2026, marcando oficialmente o retorno do artista ao formato álbum após um longo período de reflexão e reconstrução criativa.
Mais do que um simples lançamento musical, Apneia surge como um documento emocional de um período marcado por transformação, enfrentamento e reconstrução pessoal.
Segundo o próprio artista, este é possivelmente o trabalho mais visceral que já produziu.
“Este é um álbum sobre respiração, limite e sobrevivência. Sobre entender que até aquilo que parece automático pode deixar de ser garantido.”
Um disco que nasce da experiência real
O título do álbum não é apenas uma escolha estética. Ele nasce de uma condição real enfrentada por André, diagnosticado com apneia do sono, o que o obriga a dormir conectado a um aparelho que mantém sua respiração durante a noite.
Essa experiência atravessa toda a concepção emocional do disco.
A relação com a fragilidade física, a percepção do silêncio da madrugada e a consciência constante da própria vulnerabilidade tornaram-se matéria-prima para as composições.
O resultado é um álbum que percorre temas como ansiedade, memória, trauma, suspensão e a tentativa de reorganizar a própria existência depois de períodos difíceis.
O retorno depois do silêncio
Depois do fim da Lítera, Hernandez passou por um período de distanciamento da música. Um tempo necessário para refletir sobre o próprio sentido de continuar criando em um cenário onde a forma de ouvir e consumir música mudou profundamente.
Durante esse intervalo, segundo ele, houve momentos de conflito com a própria arte.
Momentos de afastamento. Momentos de dúvida. Momentos em que abandonar a música parecia uma possibilidade real.
Mas a linguagem artística permaneceu.
Mesmo no silêncio, as ideias continuaram surgindo em forma de melodias, texturas e atmosferas. A conclusão acabou sendo inevitável. A música continuava sendo sua forma mais natural de organizar pensamentos e dar forma às experiências vividas.
As faixas de Apneia
O álbum apresenta 17 composições que funcionam como fragmentos de uma mesma narrativa emocional: Prelúdio, Casa de madeira, Quando eu cheguei aqui, Sono eterno, Sarandi, GPA, Sombras no silêncio, Estrychnina, Ramos, Noite de verão, Miragem, Pelados e mortos, Ilhas, Tulipa, Prece, Bergamota morta e Apneia.
A estrutura do disco foi pensada como uma experiência contínua, com passagens sonoras que conectam as faixas como se fossem capítulos de uma mesma travessia emocional.

O significado do nome
A escolha do nome Apneia também possui uma origem precisa. A palavra vem do grego ápnoia, formada por um prefixo de negação e pela raiz ligada ao ato de respirar. O significado literal remete à ausência de respiração. Uma interrupção do fluxo vital diretamente associada à própria ideia de vida.
Esse conceito dialoga diretamente com o tema central do álbum. A consciência de que respirar, algo aparentemente automático, pode também ser algo frágil.
Um documento sobre permanecer
Mais do que um disco sobre doença ou superação, Apneia se apresenta como um registro sobre permanecer. Sobre continuar criando depois de períodos de silêncio. Sobre reconhecer os próprios limites. Sobre transformar experiências difíceis em expressão artística. O lançamento marca não apenas o retorno de André Hernandez à produção musical, mas também uma nova fase marcada por profundidade estética e honestidade emocional.









